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08Nov22
VISITA À QUINTA DO CONVENTO DE N.ª S.ª DA LUZ
Pedrógão Grande
Na bonita manhã do dia 22 de Novembro, um grupo de mais de duas dezenas de pessoas compareceram junto ao Monte de Nossa Senhora dos Milagres, em Pedrógão Grande, para visitar a segunda “Quinta com História” dos concelhos do Norte do distrito de Leira, a Quinta do ex-Convento de Nossa Senhora da Luz de Pedrógão Grande.
Este Convento foi fundado, em 1476, por D. Brites Leitoa, a benemérita e criadora do Mosteiro de Jesus em Aveiro.
Convento de Nª Sra da Luz - Pedrógão Grande
Depois de distribuir a documentação aos participantes, o presidente da Direcção da Al-Baiäz deu as boas-vindas aos presentes e de seguida passou a palavra ao guia desta visita, Dr. Aires Henriques.
O guia começou por, em breves palavras, fazer o enquadramento histórico da época de construção do Convento e falar sobre a importância histórica do local.
Os terrenos do Convento, actualmente, sem produção agrícola, mas outrora davam o sustento para os seus moradores e onde no seu grande pomar se produziam os famosos “codornos” que os padres enviavam à rainha D. Catarina que muito os gabava.
Com a extinção das Ordens Religiosas, em 1834, o Convento foi vendido em hasta pública por D. Maria II ao Dr. João António David Leitão Júnior, antepassado do Arqt.º Carlos Simões Leitão.
No Final da década de 1970 o actual proprietário, Arqt.º Carlos Simões Leitão, transformou as ruínas da antiga igreja do Convento na sua própria habitação.
Neste local, os presentes, além de desfrutarem de uma vista deslumbrante sobre as margens da Ribeira de Pêra puderam sentir a história e a magia do local, a mística, a poesia, as artes e as letras dos ilustres moradores e visitantes destas paragens:
- Miguel de Leitão de Andrada, que escreveu a “Miscellanea do Sítio de N.ª S.ª da Luz de Pedrógão”, 1629, pode ser considerada a primeira monografia de Pedrógão Grande;
- O poeta Luís Vaz de Camões, que na sua obra maior “Os Lusíadas” terminada em 1556 e publicada em 1572, dedicou a este local o poema “Oh! Pomar Venturoso”;
- Os pintores José Malhoa e Alfredo Keil que tão bem souberam ilustrar as paisagens do Cabril.
Os visitantes puderam ver neste espaço do extinto Convento, os restos da sua famosa fonte, os contrafortes, arcos e colunas com inscrições, cantarias, a pedra tumular de Baltasar Aranha de Oliveira, azulejos de características hispano-árabes e alguns documentos inéditos (escritura).
Algumas imagens deste Convento encontram-se na Igreja Matriz de Pedrógão Grande, entre elas, Nossa Senhora da Rosa e Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos Dominicanos.

De seguida percorrendo o Monte dos Milagres, um miradouro natural, os presentes puderam ouvir as explicações sobre a história de Pedrógão Grande e observarem as paisagens deslumbrantes que circundam o rio Zêzere.

O passo seguinte foi caminhar pela antiga estrada que, durante séculos, era o único elo de ligação entre os dois Pedrógãos (Pedrógão Grande e Pedrógão Pequeno) e que atravessa os terrenos da Quinta, até ao miradouro de madeira e daí observarem a foz da Ribeira de Pera e o “Penedo do Granada”. O histórico “Penedo do Granada”, em forma de cadeira que serviu para Frei Luís de Granada, 1504-1588, morador do Convento, meditar e escrever muita da sua obra.

No final, era unânime o contentamento dos visitantes pela oportunidade de visitar tão importante património de Pedrógão Grande.
Ao guia, Dr. Aires Henriques, pela excelente lição de história, o nosso obrigado. Aos proprietários desta Quinta, Arqt.º Carlos Simões Leitão e esposa uma palavra de sentida gratidão pela arte de bem receber os visitantes na sua intimidade. 

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